homem d’ comensais e amigos,
comerciante e mercador,
à porta diurna d’o café - entr'outros -...,
tenho o espírito ferido d’ bambu e rosas,
e tenho andado sozinho, minha irmã,
c' marés inteiras n'os olhos...
d’ouro gongo, e vista d’ rendas e juta,
meu irmão e a neve - escura e triste
sobr'as campanas e penumbras,
minha pele d’ trapos,
n’esta tarde de bétulas olvidas,
e cinza premonição d’ fezes...
qual me foi a palavra d’oráculo?
meu futuro é ‘ste, d’esquecimentos e mudas,
d’ eterna semente sem primavera,
d'espectros sombrios d' febre e câncer,
c'o tambor e c'as crianças
e c'os bens e c'os jardins,
indo-se c’mo um vento p'ra campanhas distantes...?
não conheço o sentido profundo d’o meu verso,
trepadeira mágica sobr'uma catedral abandonada...
quiçá haja amanhã um ídolo, um amuleto, u'a reza,
ou u'a pá p’ra q’ se m’enterre 'lguma divindade n'o peito,
um pouco de café, e paz, e música,
sem 'sta lembrança triste d’ ter-se havido um sonho
d’antes - u’a peônia soterrada n’a montanha d'espírito
um ramalhete enclausurado n’o peito,
e um cadáver frio d' leão e dignidades...
ardem ‘stas ruas c’mo girassóis e fogueiras,
e m’imiscuem c’mo dunas d’areia tristonha...
a chuva a cair c’mo um enforcado
e u'a espada longínqua d'a lona d'o circo...
claros são teus olhos, e tua boca, e teu ventre,
pois q' não te conheço...;
quem és, q' à porta bates e não entras,
e d'onde vens, pequena?
tenho sangrado c’mo um cervo baleado,
e morrido cem mortes distintas n’uma única semana.
tenho sido um tordo n'o ninho d'águia,
e uma chaleira sobre o fogo - vazia,
e minh'alma - um herói enterrado n'um depósito 'squecido...
quero ‘sta noite puxar um gatilho,
quero o ‘stampido d'um tiro a dobrar
c’mo o sino d'um canário...
quero um crime, uma sordidez, uma vileza
- ‘stou disposto a cometer mil assassinatos,
a apunhalar qualquer homem p'las costas,
a culpar o firmamento p'la minha infâmia
e a deixar-me jazer sobre o asfalto,
c’mo a carcaça d’uma égua dourada...
amas-me tanto, e sou um cretino, minha irmã...!