tu, que tudo tens, basta-te nada.
conheço da guarida o despacho turvo, trago na bolsa
..................................................[um salmão laranja,
tenho as calças mais longas que as pernas
e as duas moedas que trazia caíram-me dos bolsos
..................................[muito antes de começar a estrada.
mas hoje sei que o mundo não é o que se conhece do mundo,
sei que o serem as noites de prata não significa serem
..................................................[de prata as noites,
sei que teus lábios não são meus lábios porque já os tive, amor...
e tu!... que sabes tu do mundo?
que pouco importa não caberem-te nos pés os sapatos
.................................................[contanto sejam teus;
que goza-se melhor a morte em mogno que em terra;
que de deus não importa a forma, contanto que seja doirada.
houve ontem, sim, lilases e tílias e dálias,
.................................................[mas éramos tão jovens, amor!
houve o peito cheio e a alma inteira;
houve o cálice grande da ceia aberta;
houve ontem o não haver-se hoje o que ontem houve
.................................................[tão somente, amor.
hoje já não vivo p'ra sempre, e talvez morresse amanhã,
resolvesse a bétula caída ressuscitar neste quinto dia de outubro
desta triste primavera de juventude...
contudo, meu falar, se não me compreendes,
.........................................[faz minha toda alheia estupidez.