passa-m'ela ao longe - diariamente -, c'a simplicidade qu'é d'ela -,
e 'sto ‘scurece os prados e os campos...
os rubros bordos, ‘stes deitam-se
...................[por mais q’ rubros 'inda sejam,
e s’acendem os cavalos c’mo faróis
...................[n’esta terra triste d’o meu orvalho...
ela um dia era 'ste lugar.
'stas salas tornavam p'quenas quand'ela 'ntrava,
...................[brilhante e formosa e infinita, c'mo um pêssego,
e a alma d'ela caminhava por entre um vapor cor-de-rosa,
...................[qu'era 'ntão minha alma...
mas 'sto era um dia, e 'ste dia passou-me - c'mo ela passa ao longe,
e guardo-lhe hoje a ternura e a tristeza c'mo duas moedas valiosas
...................[n'uma caixa q' não é minha.
são tão duras certas cousas...
...................[d'esta vida a graça sem a presença d'ela,
a ruína d'esta fortaleza d'um dia ter-se havido ela,
ela, c'o vestido branco, eternamente atenunando-se c'as distâncias,
...................[jamais desaparecendo por completo.
Festa dos Livros Gulbenkian 2009
3 horas atrás