n'este leito, ele vela c'a fidelidade aparente
..................................[d'um cão.
e s'ele não me surpreende jamais, 'sto é porque
d'antes eu antecipava p’quenas alegrias
qu’hoje não me fazem mais sentido d’alegrias.
mas não quero q'sto compreendas;
fizeste tanto p'ra qu'eu tivesse u'a vida bonita...!
trazias-me surpresas à cama,
mostravas-me as salas d' cinema,
e levavas-me contigo à praia,
..................................[p'ra qu'eu visse o mar...
quando 'sto me vem à cabeça,
alguma cousa m'ocorre n'os olhos...
q' saia aquele q' me vela...!, desejo,
e qu’entre alguém p'la porta, c' doces e flores,
..................................[c'mo d'antes...!
mas a porta continua cerrada,
e ele não sai, e ninguém entra p’la porta
c' flores e doces, c'mo tu entravas...
..................................[mas é só um instante.
em profundidade 'spero ninguém.
desde q' te foste ele vela por mim,
e sei q' n'isto ele m'é c'mo q'uma p'quena fortuna...
se tenho medo - d' quando em quando -,
é unicamente porque às vezes me perpassa
..................................[a sensacção remota
d' qu'ele tão só 'spera qu'eu durma,
..................................[par'ir-se - definitivamente.
Poesia e Contos de Natal
4 horas atrás