02, Jul, 2009

Disseram-me que alguns destes poemas são belos, e perguntaram-me: 'são teus estes poemas? se o são, hão de saber-te o nome, qualquer dia...'
Mas!...
Meu nome!...
Pouco me importa que saibam meu nome...
Hei de carregá-lo às costas, sim, e com dignidade, até o último dos meus dias; mas interessa a mim, tão somente.
Se hão de proclamá-lo alto, associado a pecados, que o proclamem alto, associado a pecados;
Se hão de sussurrá-lo entre virtudes, isto será igualmente sem importância, como uma carta endereçada a um morto.
E quanto aos poemas, não são, de maneira nenhuma, meus estes poemas.
Tomai-os, levai-os adiante, declamai-os como se os tivésseis escrito.
Embora tenha eu praticado o acto, fisicamente praticado o acto, não foi uma escolha minha escrevê-los - não tenho partes nisso de escrever poemas;
Não fui o que pensou, ‘ah, agora hei de escrever poemas’, e comecei a escrevê-los, como quem vai à esquina e compra uma panela...
Nunca quis isto; quis sempre qualquer algo que não isto.
Estar-se por detrás da máquina não é uma cousa nobre;
Não é uma cousa bela;
É uma cousa triste, como a eterna companhia d'algo que não há...
A ser honesto, fosse-me dada alguma escolha, estaria em qualquer outro lugar, perpetuamente almoçando.

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