vai, ó rua, efígie sombria de rasgo de tâmara!
veio-me o irmão hoje, embora seja outono.
os dois conversemos.
falemos de coisas profundas,
de como queremos partir,
de como nos desassossega esta vida,
e de como iremos, seguramente, os dois em uma viagem,
qualquer hora.
há de haver flores, ao menos n'outra primavera;
quem sabe alguma doçura, n'algum almoço futuro;
há de haver esperança, ao menos em sonho;
os homens pascemos melhor onde não há relva,
e esta é a história...
mas sim, por hoje emudeçamos quanto as verdades.
deixemo-nos demorarmo-nos ao redor da mesa,
e discorramos sobre onde se come bem,
sobre o que nos é quotidiano,
sobre como passava bem viver-se sem que soubéssemos
que era nossa a alma nossa,
o tempo sendo-nos uma lagoa plácida e imóvel
entre não sei quantos bosques;
hoje o relógio não para nem na pior hora...
mas sim, não falemos de verdades.
poremo-nos, mas, ao par, certamente...
conta-me, que tens feito de bom e de útil?
não és como eu, que nem me tenho feito a mim bom e útil...
e esta garrafa, é tua também, pega.
meu irmão, bebe, sim, bebamos juntos.
tanto mais profundas as coisas quanto mais viva a imaginação;
não sejamos ávaros de peito, esta noite...
adiante passará das quatro, e amanhã será o dia outro.
ser-nos-á terno esse encontro sem importância,
dentro de mais anos.
toma este cinzeiro, fuma.
sei que gostas.
se o queres, isto é conveniência;
se o não queres, isto é símbolo,
mas quem se importa?...
perdoa-me.
não falemos de verdades, esta noite, ao menos.
Os «Poemas» de Alfred Tennyson
8 horas atrás