foram-me vinte e seis anos, vinte e seis anos procurando-me
onde não podia eu estar, sentando-me à poltrona dos outros,
pedindo a outrem uma chave, e quando ma concediam
era sempre que se abria porta da casa alheia.
foram-me vinte e seis anos, e vinte e seis anos foram-me...
sei-me agora, e hoje, tão só hoje, desde duas horas atrás.
despenquei-me sobre a minha cabeça como um vaso
de uma janela, enquanto andava pela rua abaixo.
hoje, e só hoje, atingi-me como um raio dobrando a esquina.
hoje sou isto que vedes, e não mais que isto, e principalmente,
ah!... principalmente, não menos que isto, e a falar francamente,
pouco se me dá o por mim simpatia ou desprezo terem.
hoje, que fique resgistrado em algum lugar onde valem registros,
ao lixo com tudo que li, com todos os versos que compus;
quereis lê-los, lede, não como meus, mas como de qualquer
....................................................[outra pessoa que me foram.
deram-me as peças do quebra-cabeças;
....................................[resolvi-o com brilho, jogando-as fora.
há-me não hoje mais gurus e mestres.
há-me não mais gênios e inteligências supremas.
não há no mundo um único homem que possa dizer-me "é isto!",
"deves assim fazer", "daquela maneira deves proceder",
"deves dançar com este passo" ou "tal é a técnica".
hoje hei de morder a castanha com meus dentes,
e se houver de coçar-me a cabeça, será com minhas unhas;
hoje, e só hoje, minhas pernas tropeçaram nas minhas pernas,
e meu espírito assombrou-se com a aparição do meu espírito,
e minhas mãos alcançaram as minhas mãos
....................................................[que há tanto buscavam.
Os «Poemas» de Alfred Tennyson
8 horas atrás
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