20, Jun, 2009

dentro do apartamento, aguardar que a água do chá fique pronta,
escapa-me qualquer lembrança do espírito e depois outra qualquer
até que finalmente expire a última lembrança como desta pequena
chaleira o calor com o partir-se da tarde fria...
o cair-se das horas enquanto espero a fervura da água sentado
nesta poltrona a olhar a porta e deixar-me solitário enquanto espero
faz-me pensar em morrer, em deixar-me ir com o movimento
sem que mais me demore em perplexidades de consciência...
há movimento - sim, há movimento - movimento sim há,
mas seria porventura concedido a qualquer coisa ir-se à algum outro lugar com este movimento?
não seria deixar-se morrer algo como trocar uma moeda de bronze e uma de cobre por uma de cobre e uma de bronze?
pois que daqui de onde me encontro, isto de morrer-me toma um aspecto estranho,
como se me visse a sair e entrar pela porta, simultaneamente.

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