18, Jun, 2009

já que estou vivo entre as coisas inorgânicas deste mundo
que sou um organismo entre automóveis e estradas e balcões de banco
e bules de chá e cordas e moedas e estes objetos de humano usufruto
ordenam-me que seja eu a manejá-los e eu a conferir-lhes sentido
e se não fosse eu a manejá-los e a conferir-lhes sentido
seriam supérfluas estas coisas e que se não fosse eu a necessitar delas
seriam todas elas símbolo do trabalho sem propósito e calor jogado fora
como o quitandeiro que caminha entre os frutos e os fundos sacos de arroz
qual entre as árvores do seu pomar estivesse e serve-se de uma maçã
e olha-me por um segundo ou como o alfaiate que trabalha com o tecido
e a máquina de costura e a luz amarela de uma lanterna na sala ao lado
e diz-me 'olá' e 'ó, joão' respondo-lhe e que segue seu ofício satisfeito
e é bem pago por isso ou como os homens nas fábricas e o negro fumo das indústrias
e como nós ou como o raio de sol que existe mais dourado
por um tempo curto no fim do dia quando o sol se põe
e isto não pode ser - trabalho sem propósito e calor jogado fora -
porque todo trabalho é sagrado e isto não pode ser - ó não pode -
não poderá nunca nosso sagrado trabalho ser como nós eu tu ela
sem significado semsignificado mssengicaodiif

1 comentários:

Vâmvú disse...

Intenso.. ótimo, como sempre!

Poxa, Corso (ou Ramasi)(ou J. Avellaneda)(rs),
Voltei de Floripa e só fiquei 1 dia em Penha. Se tivesse ficado mais um pouco ia te ligar para tomarmos aquele café (ou breja... rs).
Mas devo logo, logo voltar, dai te ligo e marcamos.
Grande abraço