tu me deixaste, amigo, na porta de casa,
e partiste para onde tens de estar,
e eu fiquei a observar-te, e foste sem olhar para trás,
com a resolução dos grandes que sabem ser não esta
.....................................................[a última vez de nada...
passaram-se anos desde este dia... tantos anos!...
e estiveste sempre aqui, na forma de um outro lugar
.....................................................[e de uma outra liberdade.
hei de encontrar-te ainda, quem sabe n’algum paraíso
.....................................................[que todos buscamos.
contudo, escrevo-te estas linhas para dizer-te como estou,
afinal mereces tanto, e quisera dar-te mais.
lembras? tínhamos outrora sonhos de fama e honras e fortuna,
e éramos duas partes iguais de uma mesma alma...
mas hoje, ah, hoje!... são outras as coisas que me fazem alegre.
um pouco de café e um bom livro pela manhã,
....................................................[quando posso sentar-me
à varanda e fumar um cigarro, às vezes escrever alguns versos,
e deixar-me estar na realidade como que longe dela,
....................................................[por pelo menos alguns minutos.
e o resto do dia tenho prazer em olhar um pouco para fora
....................................................[da janela,
as flores vermelhas de uma árvore que não sei o nome,
....................................................[mas que floresce à frente,
e é-me o suficiente ficar aqui, sem sair para ver outras coisas;
ocorreu-me que desconhecer verdadeiramente uma única coisa
já é ter toda a sabedoria que se pode ter no mundo;
e escolhi para isto esta pequena árvore que floresce
....................................................[vermelha na primavera.
esta árvore fala de mim quando se lhe ruboriza o rosto;
e quando desfolha no outono é como se ela abrisse
..........................................[uma outra janela defronte a minha,
e se pusesse a ver-me também de dentro de alguma casa;
....................................................[e quando ela volta a florescer,
as flores não estão dispostas da mesma maneira,
....................................................[e ela não é a mesma árvore.
nada nela é definitivo. como nada em mim é definitivo.
....................................................[como nada em ti é definitivo.
sim, talvez ela ainda ali esteja quando eu me for desta casa,
....................................................[e deste mundo.
e sim, algum dia ela não estará mais aqui também.
hei de ter sabido tanto dela quanto ela de mim,
em todos estes dias em que da terra fomo-nos a paisagem.
é tão pouco que importa, e quando isto se dá,
....................................................[é tanto que tudo importa!...
será que compreendes o que te falo?
não sou mais o mesmo, desde que te foste...
tu não me és o mesmo desde que me fui...
falar-te-ei algum dia com mais profundidade sobre tudo isto.
e quando nos encontrarmos, quero que me abraces forte
..........................................[ao chegares;
e ao partires novamente, volta teu rosto ainda,
..........................................[para que o contemple uma vez mais.
2 comentários:
Embora tu digas que não andas inspirado, essas palavras me deram até vontade de fumar. Continua assim, sem inspiração, pelo menos faz outros produzirem mais. Abrasssssss
Olá meu amigo,
Como sempre muito bom tudo que escreves...
Hoje passei por tua cidade, realmente é lindo Balneário Camboriu, e lembrei de ti. Estou em Floripa e no domingo volto para Penha.
Eu ainda ando meio sem palavras mas essa viagem toda que estou fazendo, apesar de ser a trabalho, acho que vai me fazer bem para voltar a escrever... o Sul é inspirador, não é a toa que tanta gente boa escreve tão bem aqui por Sta. Catarina...
Grande abraço
Postar um comentário