fala-m’ele d’ cousas ‘stranhas ao mundo,
q’ por mais qu’um possa concebê-las,
‘inda assim são ‘stranhas ao mundo,
e meu 'spírito 'stremece c'mo um ramo ao vento forte...
‘sforça-se tanto por persuadir-me
qu’às vezes penso q’ tem razão;
olho à janela, sorrateiramente,
n'estas ocasiões, c'mo q' p'ra certificar-me
.................................[d' qu'está tudo bem,
e qu'o mundo é 'sto q' vejo c'os meus olhos,
e nada mais qu'isto q' c'os meus olhos vejo...
ele vem, 'ntretanto, quando o q’ quero é quietude,
deixar-me 'star imperturbável, c'mo uma ânfora quebrada
q' s'esquece d'baixo d'um pinheiro, à meio caminho
................................['ntre a casa e a fonte...
justamente n’estes momentos,
................................[quando ‘stou mais satisfeito,
meditando sobre cousa nenhuma c'mo convém meditar-se,
ele vem, e põe-me à cabeça ‘stas idéias,
................................[c’mo um magnífico chapéu doirado.
Inverso
1 dia atrás
1 comentários:
J. Avallaneda, sabe que gosto da maneira como escreves. Afora essa escrita cheia de apóstrofos, a exaltação à natureza é um bucolismo delicado-agoniante. Poderia dizer, que é a alma do poeta, se te conhecesse. Forte abraço!
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