09, Abr, 2009

abre-se à frente o imenso parreiral,
..................................[os montes d' pinheiros ao redor
e 'sta tarde rubra d' luz e vento...
é uma paisagem tão cheia d’ grandezas 'sta,
q' s'estende até onde posso ver e mais longe 'inda,
..................................[e só d' vê-la se m’aperta o peito...
‘sto porque a grandeza d’as cousas depende
..................................[d’o tamanho d’ quem vê as cousas,
e quão p’queno devo eu ser,
pr’esta paisagem qu'é só uma p'quena parte d' terra
..................................[parecer-me tão assim, grande...
eu, o q’ não posso ‘nvaidecer-me d’ ser grande...
por q' razão eu, e só eu, d’entre todas as gentes
..................................[haveria d’ ser grande?
por q' razão haveria eu d' ser maior qu'outros?
‘sto seria c’mo s’entre todos 'stes pinheiros sobre o monte
..................................[um houvesse q’ fosse sequóia...;
mas vê, são pinheiros sobre o monte...
são pinheiros sobre o monte...

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