n‘este vilarejo, c’as casas p’quenas e d’ madeira,
......................................[são tempos d’agricultura.
há um arado apequenando-s’ao longe,
e dois homens, um imerso n’o doirado d’o trigo,
outro levando um cesto fechado p’ra casa.
......................................[uma criança o ‘spera à frente,
c'algo impreciso n'as mãos, e uma ou outra abelha
voeja-me à fronte, c'um movimento gracioso e exacto...
venho a 'ste lugar sempre q’ posso,
‘mbora ‘ste lugar seja distante d'onde moro,
pois qu'aqui m'é permitido não pensar jamais n'as cousas,
e m'é bom descansar à sombra d'os eucaliptos,
......................................[quando faz muito calor...
percebo perfeitamente q' m’observam os outros d'aqui
......................................[c'os olhos arregalados d'espanto,
c’mo s’esta não fosse minha morada;
olham-m'os camponeses c’mo s’eu fosse a última cousa
qu’um camponês ‘spera ‘ncontrar n’uma rua d' terra...
n'o 'ntanto, sinto-m'em casa aqui, precisamente;
‘sto, é verdade, m'faz uma sensacção confusa,
c’mo s’eu mesmo batesse à minha porta,
sem q' fosse possível a mim receber-me...
......................................[c'ntudo, 'stive fora por muito,
e 'sto não traz novidades ou surpresas, em absoluto.
Festa dos Livros Gulbenkian 2009
3 horas atrás
3 comentários:
Vc tem escrito belos textos.
muito bom...
aê, valeu pela presença... mesmo escrevendo menos, continuas fazendo a coisa muito bem... teus textos estão pra lá de ótimos... em tempo, cuidado com esses mistérios, as tais leituras, não vá perder-se por lá... há quem jamais volte... hehehe...
quanto ao tim maia, anotei o recado... tenho um amigo que tem muitos discos dele... vou sondar sobre este aí...
um abraço...
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