23, Mar, 2009

ond’está ele, q’ vem, mas sempre distante?
ele sabe qu’ando triste, às vezes, pois qu'o ‘spero...
o vento dobra entre as flores d’amendoeira,
e as cerejeiras d’os campos balouçam suas
...............................................[rubras e bonitas cerejas,
mas c’mo p’quenas moedas qu’a um mendigo s'oferta,
quand'estou n'o longo ofício d'esperá-lo...
lembro d’o qu’ele disse certa vez, antes d’ir-se.
ele soou c’mo q’um pássaro q’ canta p’la última vez
n’o crepúsculo, sem q' soubesse qu’era crepúsculo;
e n'aquela noite fui dormir sereno,
e fez-me outra noite n'espírito, quando despertei-m'então...
...............................................[ele há d' vir algum dia.
'spero-o quotidianamente, à varanda, sentado n'a cadeira d' palha,
e quando s'aproxima uma silhueta ao longe,
é quotidianamente q' sei q' não é ele q' s'aproxima,
pois q' não se movem as ramagens p'ra cima
...............................................[à vista d'este ou d'aquele 'strangeiro,
nem desce o sol a alumiar-lhe o caminho...
hoje ele ‘stá lá, em algum lugar, e jamais saberei onde.
talvez não voltará n’o tempo d’a minha vida,
...............................................[qu’é curto...
talvez nunca o veja, em silhueta, aproximando-se p’lo caminho
...............................................[qu’à minha casa conduz...
mas tenho flores sempre ao lado d'a porta,
e maçãs frescas postas sobr'a mesa,
e c'mo 'stas flores abrem-se perpetuamente
...............................................[n'um rosa c'da vez mais rosa
e 'stas maçãs brilham dia sobre dia c'um vermelho
...............................................[c'da vez mais doce,
ouso 'sperançar-me, mesmo q' timidamente,
e alegrar-me c'esta manhã q' s'ergue d'o leste, suave
...............................................[c'mo um grande deus d' plumas doirado.

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